martes, 8 de diciembre de 2009

Sumillas - 4º Colóquio Kant de Marília: Kant e a música



Copio a continuación las sumillas de las ponencias presentadas en el Coloquio de Marília sobre Kant y la música. En ellas se puede apreciar un importante abanico de análisis en torno a la relación entre el filósofo de Königsberg y los más diversos intereses musicales de los ponentes.

PROGRAMAÇÃO CIENTÍFICA

9/11/2009 (segunda-feira)

20.00 Abertura oficial
20.30 Conferência de abertura:
Peut-on parler d'une esthétique kantienne?
Expositor: Ricardo Ribeiro Terra (USP)
Coordenador: Ubirajara Rancan de Azevedo Marques (Unesp)

10/11/2009 (terça-feira)

9.00 Conferência:
La "unüberschreibare Stimme der Vernunft" et la "Melodie des besonnenen Lebens" - la musique dans la pensée de Kant et de Schopenhauer

A première vue, l'importance de la musique dans la pensée de Kant et celle dans la pensée de Schopenhauer ne semblent guère assimilables : d'un côté, le philosophe rationaliste qui considère la sensualité du son comme antipode potentiel d'une connaissance claire et réfléchie, de l'autre, le philosophe du vouloir pour lequel la musique exprime la signification de la vie d'une manière même plus adéquate que la philosophie. Dans la mesure où Kant estime la capacité musicale avoir peu d'importance quant au fondement de la moralité humaine - le sujet capitale de sa philosophie -Schopenhauer estime la musique être d'une importance philosophique extraordinaire en tant qu'expression immédiate de la volonté qui est l'essentiel même. Cependant, les métaphores mentionnées dans le titre démontrent que les deux penseurs, malgré leurs positions divergentes, voient un lien entre la conscience réfléchie de l'homme - capable de la moralité -et sa faculté sensuelle d'entendre et de produire des sons - capable de la musique. La « corporalité » du son est le garant de la certitude, parce que - selon Kant ainsi que pour Schopenhauer - la certitude de la connaissance a besoin de l'expérience basée sur la sensation. De cette manière, la « voix » de la raison kantienne assure la conscience morale personnelle, mais surindividuelle; la musique- ainsi que l'idée, selon Schopenhauer - transmet la compréhension indubitable du vouloir vivre à susceptible de transcender l'individualité à vers l'identité générique.

Expositora: Margit Ruffing (Johannes Gutenberg-Universität Mainz)

Conferência:
La réception de la Critique du Jugement dans la littérature musicale du début du 19ème siècle

O presente trabalho tem como propósito examinar de que modo a música - e em especial a música puramente instrumental - adquire importância e se torna o modelo para as demais artes nos primeiros anos do século XIX. Para tanto, examinaremos como a concepçāo de uma hierarquia das artes, exposta por Kant na Crítica do Juízo, foi compreendida e interpretada por alguns estetas e críticos musicais dessa época. Mais do que nas afirmações de Kant acerca da posiçāo da música nessa hlerarquia, a chave para a compreensāo da valorizaçāo da arte dos sons pelos autores pós-kantianos parece estar na recepçāo dos conceitos de gênio e de idéia estética. Isso permitiu que a música puramente instrumental - que era até entāo considerada como vazia de conteúdo ou conceitualmente indeterminada - passasse a ser interpretada como uma arte dotada de um conteúdo que nāo se pode expor através de conceitos e que ultrapassa a mera linguagem das palavras. A partir daí, abriu-se a possibilidade para que a música passasse a ocupar o centro da discussāo sobre a arte em geral, deixando de ser um mero "ruído agradável aos sentidos" para se tornar "a mais romântica de todas as artes", um pressentimento do Absoluto.

Expositor: Mário Videira (Escola de Música do Estado de Sāo Paulo)

Coffee break

Conferência:
La musique contemporaine et la portée de l'esthétique kantienne

Après avoir montré ce que signifie le prédicat " beau " dans l'esthétique kantienne et en particulier losqu'il est appliqué à la musique du XVIIIème siècle et des époques précédentes, cet article a pour but d'examiner si et jusqu' à quel point ce prédicat s'applique toujours aux pièces de musique des compositeurs contamporains, tels que J. Cage, L. Nono, H. Lachenmann et S. Sciarrino. Le débat de Heidegger avec l'esthétique traditionnelle sera utilisé comme point de référence dans cette réfléxion.

Expositor: Zeljko Loparic (Pontifícia Universidade Católica de Sāo Paulo; Universidade Estadual de Campinas)

Coordenador: Leonel Ribeiro dos Santos (Universidade de Lisboa)

16.00
Conferência:
Um sentido pré-político da música em Kant

Se adotará como ponto de partida uma página de "Von einem vornehmen Ton in der Philosophie" (1796), em que Kant, de um lado, afirma que a música vivifica maximamente os sentidos; de outro lado, afirma que seu princípio vivificador é a alma, enquanto "princípio vital do homem no livre exercício de suas forças". Estabelecendo seu ponto de vista no contexto da concepçāo de Pitágoras, de que a alma "numerus se ipsum movens est", Kant assinala que o que o filósofo grego pretendia era estabelecer a liberdade como princípio da música. O que inicialmente quero ressaltar é que Kant nesse texto acentua em relaçāo à música a harmonizaçāo de dois opostos, um princípio da alma como liberdade e a máxima repercussāo sensível da música, como uma perfeita uniāo de alma e corpo no homem. De outro lado, quero ressaltar, a partir de um exemplo contemporâneo, como a música e toda arte pode tomar um sentido pré-político, idêntico ao que Kant propõe na Kritik der Urteilskraft (B 262-263). Aí a arte, mediante o que Kant chama de sociabilidade legal, une as camadas alta e baixa. Quase com os mesmos termos é dito, em um texto de Silvia Fehrmann: "Através do reggaetón (...) recuperou-se o espírito da salsa e a celebraçāo da latinidade. A que alude esse substantivo abstrato? Ser latino nos USA é participar de um processo único de sincretismo cultural que pode se transformar em um modelo para toda a sociedade (...)" Enfim, assim como a arte une os extremos da liberdade e da sensibilidade, assim a música como arte mediante um exemplo contemporâneo adquire um sentido pré-político, que se torna modelo para toda a sociedade.

Expositor: Valério Rohden (Pontifícia Universidade Católica do Paraná)

Conferência:
Kant contra Wagner. O lugar da terceira Crítica no debate musical romântico

A expressāo "música programática versus música absoluta" nāo traduz a essência do grande debate estético-musical que na segunda metade do século XIX opõe Brahms a Wagner, pois este é sobretudo um debate em torno do problema da forma musical como princípio de estruturaçāo do discurso sonoro. Teoricamente, este debate se manifesta como oposiçāo entre uma estética do belo e uma estética do sublime, cujos princlpais defensores sāo, de um lado, Eduard Hanslick, e, de outro, o próprio Wagner. Na base filosófica de ambas as posições encontraremos Kant. No caso de Wagner, essa presença se dá nāo apenas via Schopenhauer, cuja filosofia é reclamada pelo músico como base de suas concepções estéticas, pois mostrase também ali onde este se afasta das lições de O mundo como Vontade e Representaçāo, nomeadamente, em seu conceito de sublime, bem mais kantiano que schopenhaueriano. No caso de Hanslick, a relaçāo é mais palpável, uma vez que a dívida de seu Do Belo Musical para com a Terceira Crítica é manifesta. Partindo deste quadro, procurarei mostrar o quanto a crítica dirigida por Nietzsche a Wagner, especialmente n'O Caso Wagner repousa sobre a argumentaçāo de Hanslick, e, portanto, em pressupostos kantianos.

Expositor: Márcio Benchimol Barros (Unesp)

Coffee break

Conferência:
De Kant a Hanslick. Formalité et spiritualité dans la musique absolue

L'intervention trace le parcours de la pensée philosophique sur la musique dite absolue de l'analytique du beau chez Kant à l'analyse du beau musical chez Hanslick. Le développement décrit prend son départ de la théorie kantienne des "belles formes" et de sa "finalité sans fin" et mène à l'identification de forme et de contenu musicaux entreprise par Hanslick. Mais la comparaison entre Kant et Hanslick comprend aussi bien l'inclusion d'un élément de contenu spirituel dans les deux auteurs, sous la forme des "idées esthétiques" (ästhetische Ideen) et du sublime en tant que "sentiment d'esprit" (Geistesgefühl) chez Kant et du contenu spirituel (geistiger Gehalt) de la musique maintenu par Hanslick. La thèse centrale de l'intervention est la fonction du formalisme artistique - et spécialement du formalisme musical - comme libérateur de I'art pour un contenu non-empirique ou suprasensible. La musique dite absolue possède non seulement une forme absolue mais aussi, et grâce à ce formalisme, un contenu absolu.

Expositor: Günter Zöller (Ludwig-Maximilians-Universität München)

Coordenador: Tristan Torriani (Unicamp)

11/11/2009 (quarta-feira)
9.00

Conferencia:
Do primeiro grito do sentimento à arte. Confronto entre as concepções de música em Kant e em Hegel

O propósito desta exposiçāo é investigar o conceito de música na estética de Kant e confrontá-lo com o de Hegel. No sistema kantiano das artes desenvolvido na Crítica do Juízo a música fica em posiçāo inferior, parecendo ser meramente agradável e nāo verdadeiramente bela. Ao contrário, nos Cursos de Estética de Hegel a música representa a segunda etapa mais alta do caminho da espiritualizaçāo do Ideal. Pretende-se oferecer uma leitura abrangente, mas sintética, desse conceito nos dois pensadores, atentandose em especial para a diferente modalidade de pensar a relaçāo entre natureza e espírito, forma e matéria na arte em geral e na música em particular. A questāo que se coloca como a mais importante para explicar a tensāo entre forma e matéria na música, em Kant como em Hegel, será a da relaçāo entre som e anima. Os resultados desta investigaçāo serāo por outro lado inseridos no mais abrangente debate contemporâneo sobre a relaçāo entre espírito e natureza e confrontados com algumas das posições mais significativa dele emergentes (Pippin, Quante, Maker).

Expositora: Giorgia Cecchinato (Universitá di Padova)

Conferência:
Methodological problems for a systematically consistent and scientifically updated reconstruction of Kant's musical aesthetics

In spite of Kant's remarkable analytic ability, it is difficult to systematize his observations on music beca use they present desiderata that cannot be completely reconciled among themselves. An example of this is the need to maintain the non-conceptual character of aesthetic judgment while having to distinguish between the agreeable and the beautiful, although the latter can hardly be discerned and judged without music-theoretic knowledge. Moreover, the theoretical context and status of these observations is often ambiguous, which has led to confusion as to whether they are conceptual or empirical. Most reconstructions suffer from the commitment to leave Kant's mentalistic assumptions untouched and therefore cannot escape the subjectivist aporias of modern philosophy of consciousness. To reconstruct Kant's musical aesthetics it is better to abandon intersubjectively unverifiable concepts such as that of an a priori delight in the mathematical form of musical beauty and to reformulate his universalistic foundational project of aesthetic judgment so as to allow for a pluralistic communicative exchange of sensibilities . The three most important issues to be tackled are (a) the logico-linguistic structure of judgment in its relation to aesthetic experience, (b) Hanslick's objection that musical form is not essentially mathematical, and (c) the result of empirical research that indicates that although there is an important constructive role of the brain in hearing, Euler's theory of consonance (which Kant adopted) as the result of perceived proportion among tones should be left aside in favor of Helmholtz's theory of the absence of beating between non-common harmonics or partials. Taken as a whole, these problems, both logical and empirical, are made worse by evidence from Kant's correspondence with Hellwag which indicate that he considered his observations to be tentative and provisional.

Expositor: Tristan Torriani (Unicamp)

Coffee break

Conferência:
A voz universal e as vozes comuns da paixāo

A comunicaçāo examina como Kant no final da Analítica do Belo, ao fazer a divisāo das belas artes e pensar uma ligaçāo entre elas, desqualifica a música por ser uma arte do belo jogo das sensações, mais "gozo que cultura"; mais sensações que idéias estéticas. Mas o mesmo argumento também a qualifica, pois se a poesia ao ligar-se à música no canto é capaz de mover o ânimo de modo mais variado e íntimo é porque ela é essencialmente a "linguagem dos afetos". Será que o que é agradável sensorialmente é rebaixado por ser típico, simples, o "som adequado ao sentido", isto é, pura repetiçāo que nāo deixa campo para a imaginaçāo, ou por estar ligado às circunstâncias, ao contingente? Busca-se aqui comparar Kant com Diderot e verificar em que medida a soluçāo kantiana estruturada na diferenciaçāo entre associaçāo mecânica e associaçāo livre é ainda devedora da noçāo de decoro vigente no século XVIII.

Expositora: Arlenice Almeida da Silva (Unesp)

Coordenadora: Clélia Martins (Unesp)

16.00
Conferência:
O belo e a música

Em se tratando da música, a forma do juízo de gosto, tal como se oferece à audiçāo, nāo considera fim algum. É verdade que o belo na música agrada, mas agrada de um modo especificamente musical. E embora as pessoas possam concordar sobre a beleza de uma música, é impossível uma concordância a respeito do conteúdo emocional específico supostamente representado. Diante disso, cabe perscrutar se, no caso da música, o sensus communis e a suposta comunicação universal podem ser defendidos. Se há representação com relação ao que é representado. A relevância destas questões se destaca ainda mais quando, na terceira Crítica, especifica mente na "Analítica do belo", consideramos o que Kant diz a respeito da modalidade do juízo estético: na reflexão ele desperta uma satisfação que não se propõe apenas universal, mas também necessária. Ora, qual o fundamento dessa necessidade? Se a comunicabilidade universal ocorre em virtude de algo comum entre os homens e se no caso do juízo estético não há objeto algum a ser conhecido, apenas um acordo entre imaginação e entendimento, por que então o sensus communis deveria exigir como necessária uma satisfação? Kant sustenta que ele exige. Logo, se por um lado seu formalismo no âmbito estético ignora as contingencias, é com ele também que se postula a satisfação como necessária. O texto então procura compreender essa possível antinomia em relação à música, ao belo musical que, supostamente, é um belo autônomo.

Expositora: Clélia Martins (Unesp)

Conferência:
Kant et le contrepoint rétrograde. Essai d'analogie musicale

II n'étant pas possible de connaitre directement l'"acquisition originaire" des représentations élémentaires, on peut en avoir quand même une connaissance indirecte à travers le "Weg der Analogie" ou la "via analogiae". D'autre part, l'analogie musicale chez Kant (dont les exemples sont ici interprétés au moyen de l'opposition "harmonie" versus "mélodie") est maintes fois utilisée par le philosophe, même si la position occupée par la musique dans l'économie des "schönen Künste" n'est pas tout à fait confortable. Notre intention est de proposer une analogie musicale pour l'''acquisition originaire", basée sur le contrepoint rétrograde ou à l'écrevisse, dont l'exemple par excellence est le rondeau de Guillaume de Machaut "Ma fin est mon commencement et mon commencement ma fin". Mais, pour établir l'analogie en question, on doit partir d'un rapport originaire entre l'empirique et le transcendantal, le multiple empirique et le multiple pure, lequel réfracte soit l'hypothèse de l'innéisme dogmatique, soit l'hypothèse du réalisme naïf, pour qu'entre les deux instances il y ait une réciprocité constitutive.

Expositor: Ubirajara Rancan de Azevedo Marques (Unesp)

Coffee break

Conferência:
A música agradável, bela e sublime na terceira Crítica de Kant

A Crítica da Faculdade do Juízo propõe claramente as condições de experiências estéticas do agradável, do belo e do sublime. Intentamos, assim, um exercício de reconhecimento da música agradável; aquela que "apraz aos sentidos na sensação (§ 3), da música bela; aquela "que todavia deveria concernir propriamente só a forma" (§ 13) e da música sublime; aquela que "não está contida em nenhuma forma sensível , mas concerne somente a idéias da razão" (§ 23). Desta maneira, a experiência da música agradável é parcialmente estética e parcialmente prática, pois o agradável apresenta um equivalente em nossa dependência da faculdade de apetição das sensações. A experiência da música bela é inteiramente estética, pois é a única a atender aos pressupostos kantianos dos momentos do juízo de gosto. E, a música sublime, é uma experiência prática, fundada em nossa disposição de espírito, nossas idéias e no reconhecimento de nossa destinação moral.

Expositor: Vicente de Paulo Justi (Unicamp)

Coordenador: Mário Videira (Escola de Música do Estado de São Paulo)

12/11/2009 (quinta-feira)
9.00
Conferência:
A face não-cognitiva da linguagem: do paradigma musical em Rousseau à música em Kant

Ao acompanhar as análises de Rousseau no segundo Discurso, no Emílio, e no Ensaio sobre a Origem das Línguas, vemos surgir uma chave única que permite elucidar também a problemática musical: o par antinômico natureza/cultura, cuja expressão se dá por meio recusa da representação, em particular, na recusa da interposição de signos representativos entre os homens e as próprias coisas, hipótese aparentemente plausível para das conta da inserção de suas teorias musicais no contexto maior de sua obra. Todavia, antes de compreender o lugar da linguagem e, por extensão, da música no pensamento do filósofo, é preciso compreender porque ele busca determinar se as operações cognitivas - a razão, o entendimento - estão condicionadas a formação e desenvolvimento da linguagem ou, se esta última supõe desenvolvidas as faculdades intelectuais. O texto aqui apresentado é uma reflexão sobre as condições de possibilidade da anterioridade lógica da linguagem (em sua origem, musical) e seus desdobramentos face ao papel fundamental adquirido pela faculdade da imaginação nesse contexto, a fim de determinar a distancia que o separa da reflexão kantiana sobre a música.

Expositora: Jacira de Freitas (Universidade Federal de São Paulo)

Conferência:
Harmony and Melody as "Imitation of Nature" in Rameau and Rousseau

Jean-Jacques Rousseau and Jean-Philippe Rameau, the two emblematic figures of the Querelle des Bouffons, could very well agree that music is an imitative art, but that which it imitates, nature, was understood by them in very different ways. While Rameau identified nature with the Galilean/Cartesian realm of physical laws expressable in mathematical relations, for Rousseau nature meant the internal world of human passions and sentiments. Accordingly, harmony, as the science of construction of musical chords based on simple numerical relations and melody, as the art of expressing the passions by means of the accents of the spoken word, were the musical dimensions that one and other author respectively took as the privileged medium in which the imitation of nature should properly take place.

Expositor: José Osear de Almeida Marques (Unicamp)

Coffee break

Conferência:
A aconceptualidade da música em Kant e suas ressonâncias: Hegel e Adorno

Em sua monumental Filosofia da música, de 1922, Paul Moos observa, ao analisar o parágrafo 51 da Crítica da faculdade do juízo, que, embora a avaliação de Kant sobre a música, em virtude de uma série de preconceitos por parte desse filósofo, não faça jus a riqueza dessa arte, é inegável que as principais correntes posteriores da estética musical (segundo ele, a formalista, a sensualista e a naturalista) desenvolveram - cada uma no seu escopo - indicações dadas na supramencionada página kantiana (Moos, 1922, p. 16-7). No entanto, é possível dizer, hoje, que a influencia de Kant na filosofia da música posterior não se restringe a essas correntes, já que a circunscrição da música a elementos sensoriais, apontada na Terceira Crítica, ganha na Antropologia um interessante adendo, contido na sua definição como uma linguagem "de meras sensações (sem qualquer conceito)" - eine Sprache bloBer Empfindungen (ohne alle Begriffe) (Ak. VII, p. 155). Tal ponto de vista sobre a ausência de conceito na música abre caminho para o estabelecimento de conexão com vertentes dialéticas da filosofia, sendo que sua avaliação parcialmente "negativa" se dá, no século XIX, com o próprio Hegel e sua avaliação majoritariamente "positiva" ocorre, já no século XX, com a filosofia da música de Theodor Adorno.

Expositor: Rodrigo Duarte (Universidade Federal de Minas Gerais)

Coordenadora: Giorgia Cecchinato (Universitá di Padova)

Conferência:
La division des sens et l'hiérarchie des arts: Kant et Herder

It is the purpose of this paper to present Kant's discussion on the division of the senses (mainly in the Critique of the Power of Judgment and the Anthropology) and in Herder's less known aesthetic writings (mainly the Fourth Critical Grove). Especially the position of hearing will be studied in its inter-esthesic and syn-estesic functioning. It will be shown that Kant's theory of hearing is embedded in an overall anthropology/psychology which is more or less specified and not always very self-conscious. The shift from Kant to Herder is truly paradigmatic: a totally different doctrine of sensoriality and of the "life of the mind" is at stake in Herder. My second interest will be to study the influence of this anthropological reconstruction of the specificity of the senses on the proposed hierarchy of the arts. It will be of most importance to notice that the evaluation of the hierarchical position of music is very much related to the philosophy of hearing formulated in the aesthetic theories of Kant and Herder.

Expositor: Herman Parret (Université de Leuven)

Conferência:
La pensée kantienne et son rythme

Est-ce qu'on peut parler d'un rythme de la pensée? Est-ce qu'on peut reconnaitre dans une œuvre philosophique, au-delà des thèses ennoncées, des idées et des arguments exposés, encore quelque chose comme sa structure rythmique? Et, étant donnée cette structure, est-ce qu'on peut lui attribuer une valeur constitutive ou une valeur simplement formelle? dénnonce-t-elle la nature même des choses, ou doit-elle être mise au compte de ce qu'on pourrait appeller la condition esthétique de l'œuvre, dans la mesure ou celle-ci est une construction humaine? Fernando Pessoa, qui a dit que l'essence du poème réside dans son rythme, aurait-il raison quand il écrit que le «triple mouvement» - qu'on peut d'ailleurs trouver aussi bien dans l'ode grecque que dans la dialectique de Platon et de Hegel, dans les trois ordres des eh oses de l'hermétisme que dans la trinité théologique des chrétiens - c'est «un axiome de l'intelligence humaine», «une loi organique de la discipline mentale, la règle éternelle de toute création psychique»? Notre réflexion portera sur les trichotomies qu'on trouve partout dans l'œuvre de Kant. Le thème n'est pas assez fréquenté par les commentateurs et interprètes de la philosophie kantienne, mais il a mérité quand même l'attention de penseurs tels que Hegel, Schopenhauer ou Peirce. Nous lui avons dédié le dernier chapitre de notre thèse de doctorat (Metáforas da razão ou economia poética do pensar kantiano, Lisboa, 1989; reéd. 1994), sous le titre «A trindade da razão ou o ritmo do pensar kantiano» (La trinité de la raison ou le rythme de la pensée kantienne). Très récemment, dans le dernier chapitre de son livre Die Bestimmung des Menschen bei Kant (Hamburg, 2007), Reinhard Brandt a relativisé la portée des trichotomies et fortement souligné la présence du quaternaire dans l'œuvre de Kant et a voulu démontrer que, au-delà des divisions ternaires kantiennes, il faut penser plutôt à un quatrième unificateur de celles -ci, soutenant même la thèse selon laquelle Kant aurait besoin d'écrire une quatrième Critique pour unifier et donner cohérence a son programme philosophique (le chapitre porte le titre «Die vierte Kritik»). En discutant cette récente révisitation du thème, nous sommes ainsi invités a penser encore une fois le sens des trichotomies kantiennes, a propos desquelles le philosophe disait, dans une note au dernier paragraphe de l'Introduction a la Critique du Jugement, qu'elles résident dans la nature même des choses. Profitant soit des réflexions de Kant sur la nature transcendantale du processus ternaire de la pensée humaine soit des suggestions de Pessoa a propos de l'importance du rythme dans toute création spirituelle, notre interprétation mettra en relief leur signification esthétique et architectonique, les concevant comme expression d'un très fécond module rythmique de la pensée.

Expositor: Leonel Ribeiro dos Santos (Universidade de Lisboa)

Coordenadora: Arlenice Almeida da Silva (Unesp)


20.00
Sessão de Comunicações
Coordenador: Paulo Cezar Fernandes (Sociedade Kant Brasileira)


DO FUNDAMENTO SUBJETIVO DO BELO EM KANT, AO PRINCÍPIO OBJETIVO DO BELO EM SCHILLER
Tércio Renato Nanni Bugano. (Unesp)

Partindo da proposta do belo em Kant, Schiller produziu com e contra ela a sua própria dimensão estética. Dessa forma, erigiu sua filosofia a partir de conceitos kantianos, advindos da Critica do Juízo do mesmo. De acordo com Kant, do juízo de gosto estético não é possível descender nenhum tipo de conhecimento, justamente pelo fato do mesmo não ser lógico. Além do mais o sustentáculo desse juízo é o sujeito e não o objeto. E dessa forma que Kant delimita o fio condutor de sua estética, tornando o objeto a ser investigado, livre de qualquer coerção, não cabendo nenhuma espécie de julgamento. O juízo de gosto, a sensação de prazer e desprazer, é imediata, logo, sem interpor qualquer conceito. Em Schiller ternos urna inversão do projeto kantiano, porém temos que salientar que ele só existe a partir dos pressupostos kantianos, sendo assim vemos que a proposta schilleriana é a de tornar o belo como princípio objetivo, postulando para tal intento o objeto como referencia e não o sujeito . Assim o conceito de beleza estaria no próprio objeto, e não mais na sensação do sujeito que o contempla. Mas, se existe verdadeiramente a possibilidade dessa mudança, não teria ela, para Schiller, um valor maior que somente a análise do belo? Não estaria ela ligada ao ambicioso projeto de Educação Estética do autor?


KANT Y LA ESTÉTICA MUSICAL DEL CLASICISMO: LA CIRCUNSCRIPCIÓN DE LA MÚSICA AL ÁMBITO DE LO SENSIBLE
Arturo Rivas Seminario (Pontificia Universidad Católica del Perú - Lima, Perú)

La presente exposición quiere analizar las aproximaciones de Kant a la música como una unidad coherente no sólo dentro de su propio pensamiento, sino también como parte de una tendencia en la estética musical moderna y con relación a las dos grandes formas de filosofía de la música : la vitalista y la idealista . En primer lugar se intentará dotar de un sentido global a las consideraciones de Kant, que como se sabe no son muchas y han sido motivo para señalarle una presunta ignorancia o descuido respecto de la música, incluso por parte de algunos estudiosos kantianos, para entenderla en su circunscripción al ámbito de la sensibilidad, con las implicancias que ello supone en el conjunto del pensamiento kantiano. En ese marco se le vinculará con el clasicismo musical, específicamente con Mozart considerado como su genio característico, y se señalarán también algunos puntos de posible influjo y de divergencia con el Romanticismo y con las interpretaciones idealistas de la música . Ese análisis permitirá señalar también el interés actual que pueden ofrecernos sus perspectivas, especialmente como fundamentos para una fenomenología de la percepción musical.


A ARTE MODERNA A LUZ DA ESTÉTICA KANTIANA
Alice de Carvalho Lino (Universidade de Sao Paulo)

A presente comunicação pretende tratar da recepção da estética kantiana por Clement Greenberg (1909-1994), Jean François Lyotard (1924-1998) e Thierry de Duve (1944-) no propósito da caracterização da arte moderna. Desse modo, a apresentação é dirigida para as formas como os conceitos da Crítica da Faculdade do Juízo (1790) são interpretados e, então, utilizados em um novo contexto. Greenberg, no ensaio intitulado "Pintura Modernista" (1960), faz uso da perspectiva crítica kantiana a fim de definir o modernismo em sua essência. Está, portanto, na autocrítica a característica que define o modernismo em termos essenciais, ou ainda, na utilização de métodos próprios de uma disciplina para criticar a si mesma. Lyotard, por sua vez, elabora uma estética da pintura moderna a partir do sentimento do sublime tal como descrito por Kant. Tal postura é percebida, notoriamente, nas obras O pós moderno explicado ás crianças (1993) e O Inumano (1997). E, justamente, a incapacidade da imaginação em "presentificar" o fenômeno, que Lyotard considera na analogia com a arte, pois, na sua concepção, o propósito da pintura moderna está em "fazer ver que há algo que se pode conceber e que não se pode ver nem fazer ver" (LYOTARD, 1993, p.22) . E De Duve propõe a substituição da palavra "belo" por "arte" no juízo de gosto kantiano; logo, a faculdade de julgar o belo comum a todos, na acepção contemporânea torna-se a faculdade de julgar a arte. Tem-se, assim, um juízo capaz de proferir a assertiva "isto é arte". Propõe-se, portanto, uma análise sobre as releituras e críticas dirigidas a teoria estética kantiana por certos teóricos contemporâneos da arte, com o intuito de verificar em que medida a apropriação de Kant é útil na interpretação da arte moderna, ou quando se mostra insuficiente para tal; o que implica uma reformulação dos conceitos a fim de abarcar o objeto proposto.

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